Poema...
Se puderes separar
a minha parte que é chama
da minha parte que é água,
se não puderes traçar
entre uma e outra uma trégua,
se puderes ser a arte
tão triste de me apagar
com uma parte outra parte
e essa te possa amar
em meu lugar como eu posso,
com o total de quem ama,
deita-me a alma contigo
e o corpo na outra cama.
Embora saiba que o sonho
nem só por alma reclama.
Quanto mais alma lhe ponho
mais o corpo se me inflama.
Se puderes separar
a minha parte que é água
da minha parte que é chama,
deita-me o corpo contigo
e a alma na outra cama.
Mas crê que a fractura é crime.
Só o conjunto é sublime.
Só, nenhum deles me exprime.
Só, nenhum deles te ama.
Martinho Marques
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