Já não acredito...
Já não acredito em algumas palavras de mudança, mas eu que não sei muitas coisas, é bem verdade, ainda acredito em ti, no teu andar, nos teus passos, no teu caminho, nesse inseguro desperdício de certezas, pois sei que amanhã essas palavras vazias que te dizem agora serão trocadas por outras, plenas, luminosas, encostadas ao tronco de árvores honestas, gozando a sombra discreta do Sol, luz para a dor, mesmo logo depois do vento ter empurrado as nuvens, a chuva, o Inverno, e serenamente a maré ter subido tão melodiosamente como música para nenhum instrumento, tão vagarosamente repetida que se podia ouvir a noite inteira...
Porque tu, dois olhos, olhaste firmemente, decisivamente, para depois do horizonte e no paredão, pedra junto ao mar, escreveste com a boca, letra redonda, “Tu nunca me esqueças nunca” e rodeaste com alívio esse branco abandonado.
E é só nisso que ainda acredito, pois não sei muitas coisas, é bem certo, mas sei que o melhor remédio para continuar a viver (...) é não morrer sem amar alguém.
Pedro Strecht (1999).
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